terça-feira, 10 de janeiro de 2017

milk shake eduardo e mônica

Eu achei que ia ser ok encontrar ele. Mas ai eu o vi. Fui chegando no café, e de longe vi a barba, o cabelo e óculos tão característicos sentado me esperando. Eu não sabia se olhava pro chão, se continuava olhando, se acenava indicando que já tinha visto ele, se sorria, se olhava pro lado... que eu faço? Parecia um caminho eterno... enfim cheguei a mesa. Me atrapalhei toda pra sentar. Comecei a tagarelar, não parava de falar da minha experiência num curso de meditação nos últimos 10 dias. De como tinha sido incrível, de como eu tinha mudado, quantos insights eu tive... continuei falando. Fiquei com medo do que poderia acontecer se eu parasse de falar. Se ficassemos em silêncio poderia ser constragedor. Se o assunto acabasse teríamos de ir embora. Tinha medo do que ele poderia falar também. Vai que ele me conta que ta saindo com outra pessoa, que se apaixonou de novo......... af, e daí? Não importa. Que boba eu! Cheguei até aqui, preciso bancar minhas escolhas. Eu disse: to falando demais né, se você deixar eu falo a tarde inteira sobre isso. "Não tem problema, pode falar. Aproveita enquanto ainda tá recente, e você ainda ta lembrando pra passar pra frente o que aprendeu..." fofinho. Não, fala você. Então contou como haviam sido seus últimos dois meses, viajou, se afastou um pouco das preocupações e dos problemas, participou de um congresso, encontrou amigos de outras cidades, foi ao casamento do irmão. Falou um tanto do casamento. Disse que se emocionou, cerimônia bonita, imaginou como seria a vida de casado, parece bom. Um nó se formou na minha garganta. Fiz um certo controle para segurar as lágrimas e controlar a respiração. Foi porque lembrei das vezes em que conversamos sobre ter uma vida a dois. Sobre morar juntos. Sobre pagar contas. Sobre dormir na mesma cama, compartilhar o banheiro, os problemas, as felicidades. Sobre se apoiar, se ajudar. Passou. São só pensamentos do passado. Ele mesmo mudou de assunto. Começou a explanar sobre outra coisa, enquanto eu observava o jeito que mexia a boca, as mãos, inclinava o corpo para trás, tudo tão familiar, tão bonito, tão charmoso. Muito surpresa percebi minhas sensações. Droga, ainda gosto dele. Tava difícil controlar a euforia no meu estômago, e as lagrimas querendo brotar nos olhos. Um impulso de querer ir embora. Não tá bom ficar aqui. Ta doloroso. Vamos destrocar as coisas, por favor. Ele trouxe tudo o que restava meu com ele, e eu tentei fazer o mesmo. Devolvi dois livros que estavam comigo, um deles gostei muito, intimamente eu não queria devolver. Ele percebeu e me deu de presente. Fiquei feliz. Foi uma conversa boa. Sem acusações, sem remoer o passado, sem ansiar por um futuro. Minhas angustias ficaram só comigo. Terminei meu milk shake e fomos embora. "Até mais", "boa sorte".  

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