domingo, 19 de junho de 2016

Última semana

Essa semana eu senti muita falta de você. Mas não de você como estamos agora, mas de você como éramos no começo. Pensei muito em você esses dias que ficamos sem nos falar. Lembrei do seu sorriso despreocupado, leve, dos seus olhinhos fechando quando ri. Sinto saudade do seu entusiasmo de me apresentar coisas novas, coisas sobre seu mundo, coisas sobre a cidade que moro, mas que não conheço como você. "Quero te mostrar um lugar que tem uma comida ótima", "comprei um livro, quero que você veja", "quero que você conheça meus amigos, você vai adorar a Cristal..."
Lembro da gente na minha cama a tarde inteira, conversando, dando gargalhadas, chorando de rir, fazendo guerra de travesseiros, ataque de cosquinhas. As vezes essas brincadeiras acabavam virando sexo, e huuuuummmm, como era bom! Era gostoso conhecer seu corpo, sentir cada pedacinho da sua pele, seu cheiro, seus movimentos, seus gostos. Era bom também descobrir o meu corpo quando estava com você. Aprendi sobre você, sobre mim, sobre como a gente era junto, colado, conectado, em sintonia, na maior fluidez de sentimentos, vontades, fazeres. Quando você dizia que ia embora, eu me agarrava em você e pensava que aquele momento poderia durar pra sempre. A vontade de te ver de novo me visitava rapidinho. Queria te ver todo dia, mal podia me aguentar de saudade. A gente conversava por horaaas sem enjoar. Minha pessoa preferida, você sempre era a melhor companhia pra sair, eu sempre te chamava. Quando você não podia, eu também não saía, fazer o que lá sem você? Perdi o contato com várias pessoas nesse processo, não tinha tempo de cultivar minhas amizades, só pensava em você, em te ver, em te dar carinho. As outras pessoas com quem me relacionava, eram seus amigos.
Nossa, como eu mudei depois de você! Acho que fiquei mais adulta. Comecei a trabalhar, aprendi a fazer comida. Fiz mais 5 tatuagens (com meu próprio dinheiro)! Conheci gente que não era do meu antigo círculo social, conheci novos assuntos, filmes, livros, gente mais velha que eu. Aprendi a lidar com problemas diferentes dos quais tava acostumada. Aprendi a lidar com os seus rolês emocionais, seus processos. Quando seu amigo morreu de câncer e você ficou triste, não tinha abraço mais apertado que eu desse que fizesse sua dor passar.  Viver essa perda com você me fez crescer muito também.
Teve um dia que alguma coisa aconteceu. Fico repassando nossos dias, pra ver se acho esse dia, mas não sei qual é exatamente. Não sei se foi quando nós tivemos aquela discussão sobre ciúmes, ou se foi quando você viajou e ficamos sem nos falar, ou naquele dia que a gente tentou transar e foi estranhamente não-bom, na verdade foi bastante desconfortável, eu não tava sentindo tesão, não rolou, ficou climão, eu fiquei triste, você ficou triste. Acho que foi nesse dia sim, nesse dia que o meu tesão em você foi embora, acho que meio que pra sempre.
Desde que eu te conheço você me fala que está arrumando seu quarto, que ta sempre uma bagunça. Quando te cobram essa organização, você responde "eu quero arrumar, mas acontece que minha vida tá igual esse quarto aqui".
Pacientemente eu tenho esperado você arrumar o seu quarto. As vezes fico preocupada em não deixar a bagunça da sua vida me atropelar. As vezes me sinto meio atropelada, quando vejo já rolou, to piradinha.  Respiro fundo "é o tempo dele". Fico me perguntando quando vai ser o meu tempo. Quando você vai perceber que eu também fico triste, também tenho vontade de desistir, que me estresso, que também faço coisas interessantes, que conheço filmes legais, que agora tenho novos amigos, que assisti uma peça de teatro legal com uma outra pessoa, e queria falar dela pra você, mas você parece não ter mais tanta curiosidade sobre o meu dia, sobre mim. Olho para você agora e me pergunto se foi por você mesmo que me apaixonei. Você parece que tá igual. Mesmo corte de cabelo, mesma roupa, mesmos dilemas. Acho que fui eu quem mudei. Eu não sou mais a mesma garota pela qual você se apaixonou. Será que você notou isso?



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