domingo, 23 de março de 2014

Poderia ter sido, mas não foi.

Quero falar de um sofrimento que já se aliviou. Somente agora é possível falar sem chorar e quero falar agora, porque na verdade agora eu estaria conversando com ele se fosse a mais ou menos um mês atrás. A gente pode chamar ele de Sr. Darcy, porque ele é encantador como esse personagem. Sim, tô sofrendo de amor. Ai ai ai, meu assunto preferido. Amar é um caminho sem volta, fica-se amando, amando, amando... e tamanho investimento de energia em outro objeto, que não na gente, as vezes dá nessas coisas: sofrimento.

Eu mesmo já escrevi um monte de cartas ao Sr. Darcy explicando o que não expliquei, o que ficou pendente, pedindo desculpas, as vezes me declarando... porém, sem coragem de mandar, que é o que eu realmente não devo fazer com ele: me comunicar. Ai ai como dói de novo. Quantas novidade eu já não tenho para contar, e assuntos infinitos, conversas que acabam por acontecer só na minha cabeça mesmo. Mas pelo menos me resta sonhar, certo? Se isso eu posso, deixe-me contar todos os nossos feitos: Já casamos, brigamos, já disse que o amava 5435 vezes, já tive crises de ciúmes e já terminei com ele por isso, mas depois vi que tudo era besteira e reatamos.  Já me mudei pra cidade dele, as vezes ele se muda pra minha, a gente tem uma casa linda com horta e galinhas no quintal. Já sei até as feições dos nossos filhos. Vejo ele triste e angustiado, amarro ele entre os meus braços e digo: vai ficar tudo bem. Mas ai eu desperto, mesmo que já acordada e lembro que nem nos falamos mais.

Quando fez uma semana que paramos de nos falar, eu abri o calendário do celular e fui contar os dias. Sete longos dias, parecia uma eternidade. Dai com surpresa percebi as outras semanas do resto do mês, e depois vi quantos meses restavam no ano, e depois quantos anos restavam da minha vida sem ele, e deus, que dor. Chorei. A pior parte é lembrar dele em todas as ausências, e me dar conta de quantos vazios infinitos existem num só lugar, contando comigo, que estou vazia. Mentira, já estou me recuperando. Gosto agora de pensar na gente feliz, e não na ausência. Melhor pensar no que já esteve preenchido, do que no vazio. Pensar no quanto ele é lindo e maravilhoso sem pensar em ter ele pra mim. Me imaginar fazendo outras coisas, saindo da rotina, criando e aprendendo, tudo sem a presença dele, me ajuda também. Mas que saudades, sdds infinitas.

Um comentário:

  1. Arrepiei. Volta a escrever sempre, nanda! Ler seus textos são um ganho de tempo.

    ResponderExcluir

Já estou ansiosa para ler seu comentário, mesmo antes de você ter terminado! :D