terça-feira, 25 de setembro de 2012

metAMORfose

 Nastássia naquele instante soube que jamais iria querer outra coisa senão aquilo. Não sabia o que era, do que era feito, de onde viera, se respirava, se pensava, se poderia ser útil ou ainda se poderia querê-la de volta.
 Era um sentimento que não conhecia, nunca ouvira falar dele, mas tinha certeza que o sentia. E sentia no corpo todo, atravessava a sua pele, ele se espalhava por ela e em volta dela até cobri-la. Ela queria evadir-se, estar em si e também em todos os lugares, já não cabia mais no próprio corpo! Transformou-se, tornou-se maior, porque sua alma dilatou-se e jamais voltará ao tamanho original. Ela nunca mais será a mesma e nem quererá ser. A partir daquele momento, quem ela foi antes se tornará em breve uma falha lembrança, porque isso é evolução. Quem se foi a dois minutos já não importa mais, o tempo que passou se perdeu e não lhe é útil, o que importa é quem se é agora e Nastássia é alguém melhor.
 Você também jamais seria o mesmo se passasse por tal situação, leitor. Se é que já não passou. É quando tudo de repente faz sentido. Tudo é amor. Eis que Nastássia estava amando.

domingo, 2 de setembro de 2012

Amar

Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
mais este e aquele, o outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!

Recordar? Esquecer? Indiferente!
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disse que se pode amar alguém
durante a vida inteira é porque mente.

Há uma primavera em cada vida:
é preciso cantá-la assim florida,
pois se Deus nos deu voz foi pra cantar!

E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
que seja a minha noite uma alvorada,
que me saiba perder... pra me encontrar...


Florbela Espanca