segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Epifania.

Com os olhos cheios d'água largou o livro sobre a cama. Toda aquela ansiedade para acabar a história, todas aquelas palavras, aqueles personagens agressivos, aquela vida que era sua, mas não era. Vivera a vida de outro por dois dias, e agora ele estava morto. Nada mais daquilo que pertencia ao antes fazia sentido. Tudo fazia sentido. Agora. Para sempre. Chutou o livro da cama. As lágrimas cansadas de ficarem penduradas nos olhos rolaram. Sua vida era um lixo. Lixo. Só lixo. Reviveu todos os momentos da história do livro em um segundo como se fossem seus momentos. É porque na verdade eram. O livro lhe abrira os olhos, e com os olhos bem abertos se olhou no espelho. Viu seu cabelo grande e ondulado, quase selvagem, invejável. Tantas horas já havia passado na frente do espelho cuidando dele. "Idiotice", pensou. Agora ela sentia como se ele a diminuísse. Aquela aparêcia, aquelas roupas, aquele batom não eram ela de verdade, não a representavam. Ela agora queria ser outra. Na verdade, já era outra. Minto, agora ela seria ela mesma. Pegou a tesoura e cortou. Cortou seus cabelos até onde conseguiu. Era uma troca, os maços de cabelo pela vida. Mais duas lágrimas correram.



5 comentários:

  1. alguma semelhança com a escritora? #brinks ficou legal... ;D Plinio

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  2. Cada texto fica melhor, impressionado. Como de costume mandou bem!

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  3. Uau! Eu passei por isso este ano, depois de olhos vermelhos rasguei minha própria pele pra ser eu mesma! Gostei muito!!

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Já estou ansiosa para ler seu comentário, mesmo antes de você ter terminado! :D