quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Party Rock

Era para ser uma festa legal na qual eu iria travar novas relações, mas onde eu estava eu só escutava as pessoas falarem: blábláblá, blá bláblá blá. Não era desprezo eu juro, era apenas um certo cansaço daquele assunto. O chão de terra era vermelho, não dava para ver, porque estava muito escuro, mas dava para saber, sei lá como. Devia ser o cheiro de terra vermelha. Eu vasculhava as raízes salientes abaixo dos meus pés com os olhos, depois vi o caule grande, depois os galhos grossos e retorcidos e depois eu vi ele. Não que ele estivesse em cima da arvore (risos), ele apenas passou entre as pessoas, é que a sua presença me chama muito a atenção, sempre chamou. Os óculos dele gritam: estou aqui! Não há como não desviar a atenção. Se ele é bonito? Devia ter sido antes, hoje não mais. Isso não tem importância.
Eu já o tinha visto antes, quase no mesmo lugar e havia fingido que não tinha visto (por favor, não me julgue. Acredite, era melhor assim) mas agora era diferente. Diferente, porque nos olhos dele eu vi tristeza. Tristeza e desgosto. Seus pés e suas pernas marchavam decididos a uma direção, contudo seus braços estavam largados balançando, seus ombros caídos em uma postura triste, a cabeça um pouco baixa, seus olhos fixavam o chão. Tudo nele deveria indicar descaso ou indiferença, porém a velocidade com que andava lhe entregava. Quem o olhasse de forma mais atenta pensaria que ele estava sendo perseguido, ou pelo menos ele pensava que estava, ou estava de fato. Mas é claro que estava! Eu acabara de persegui-lo com os olhos. E naquele momento eu entendi o que acontecia e me senti triste. Foi como se ele tivesse dividido toda aquela tristeza comigo, e sabe que eu não teria me importado se tivesse a certeza de que a divisão lhe aliviaria um pouco as costas. Eu queria ter ido lá para dizer: "Não fique assim." Nervoso com certeza ele estava e ficaria pior se eu fosse lá falar-lhe. Penalizei-me. Mas francamente, o que eu poderia ter feito?







5 comentários:

  1. Belo texto, ótimo final. Tobias misterioso.

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  2. Não sei se foi apenas impressão ou falta de atenção minha, mas me senti meio confuso lendo o texto... De inicio não entendi qual o teor dele, me confundi com o revezamento frequente que você fazia entre a seriedade e a descontração. Sei lá, me parecia que você estava com pressa enquanto escrevia. Talvez fosse sua intenção, fazer-nos sentir como o eu lírico provavelmente se sentia, mas isso não ficou muito claro pra mim.

    Curti muito da parte descritiva do texto. O cenário me pareceu bastante nítido, e a descrição que você fez do personagem que chama a atenção do eu lírico foi excelente!

    Enfim, gostei do texto, tem uma intensidade sólida. Espero que você tenha entendido tudo o que eu disse. (:

    Bgs Nanda :**

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  3. gostei bastante do final, da descrição do local e do personagem parabens. a filnal vc n se sente perseguida pelos meus olhares ?

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  4. Tem pessoas além de mim falando com você por aqui, comentários no blog não são mais seguros. Tobias Misterioso

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  5. Excelente texto.
    O próprio modo como você escreveu passa a sensação de nervosismo do eu lírico.
    O sentimento de "perseguição" da um certo ritmo ao texto.
    Adorei.
    Beijinhos :*

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Já estou ansiosa para ler seu comentário, mesmo antes de você ter terminado! :D