quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Cassandra



Quando me viu passar pelo corredor correu para o quarto e se escondeu em baixo da cama. Talvez achasse que estávamos brincando de esconde-esconde. Como o curioso que nós dois concordávamos que éramos, resolvi levantar a coxa da cama que arrastava no chão para ver o que fazia, agachei com cuidado para não assustá-lo. Pude ver suas pupilas dilatadas me encarando, seu longo bigode se mexendo, mas estava imóvel como se esperasse uma atitude minha, ou achava mesmo que era invisível pra mim. Aquela pequena fera me intrigava.
Ela sempre amou gatos, já eu tive que me acostumar com eles. Viver com Cassandra não era muito simples. Você tinha que se acostumar com os barulhos repentinos, com seus cômodos bagunçados, seus hábitos bizarros, sua rotina inconstante, sua alimentação ecologicamente correta que tanto me embrulhava o estomago. Era comum encontrar suas anotações dentro da geladeira. Ao mesmo tempo me pareceu fácil demais aceitá-la como era. Sem complicações, sem mentiras, ela era aquilo e pronto, não havia nada que ela me escondesse, pelo menos foi isso o que eu conclui com o passar do tempo.
Olhava-a escrevendo, seu óculos caído até a ponta do nariz, suas feições miúdas e delicadas, seu cabelo ondulado era dourado, encontrava-se preso de tal forma que mais parecia estar quase todo atrás da orelha. Usava roupas folgadas e gastas demonstrando seu desleixo natural que tanto me seduzia. Sua pele bronzeada lisa e macia que eu gostava tanto de sentir. Seu cheiro envolvente me tirava do sério, mas o melhor de tudo era sua voz que fazia tão bem aos meus ouvidos, voz de mulher resolvida que não devia nada a ninguém. Tudo nela me agradava, tudo naquela casa me chamava, e eu sabia que estava irreversivelmente apaixonado por aquela mulher.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Se arrependimento matasse...


Eu bem que queria escrever aqui "se arrependimento matasse, eu não morreria disso.." ou, sei lá, algo do tipo. Vamos ser francos, quem nunca se arrependeu de algo, que atire a primeira pedra.

Quem nunca se arrependeu de um sim ou um não mal pensado, de uma decisão mal pensada, ou de uma decisão tão bem pensada que passou o tempo da escolha? Quem nunca se arrependeu de uma festa? Aaah, vamos lá. Festas, esses ambientes são propícios para momentos inesquecíveis e arrependimentos futuros. Muitas vezes necessitam apenas de uma pequena decisão momentânea para distinguir qual destino se encaminhará.

A gente se arrepende de tanta bobagem que não deveria, quero dizer, são tantas as escolhas que, se assim pensarmos, todas estão sujeitas a arrependimentos. Por mais que a escolha de agora pareça a mais correta, você corre o risco de daqui a 30 anos se arrepender dela. É isso que tanto tem pirado a cabeça dos jovens estudantes que já têm de decidir logo o seu futuro. Nem vou comentar o grau de importância dessa escolha. Andava dormindo mal por causa disso, mas nessa noite cheguei a uma conclusão que, já, já irei introduzir em você, leitor amigo que tem paciência de ler meu blog. (:

Acredito que o único erro o qual jamais podemos cometer é ficar martirizando-se por causa de uma escolha errada, ficar se arrependendo constantemente, se massacrando por isso, porque essas coisas só ajudam a vendar nossos olhos para as novas oportunidades, e essas sim são muitas, dure o tempo que durar, elas aparecem como se caíssem do céu ou brotassem do chão, podem acreditar. Okay.. umas melhores que as outras, isso é inegável, mas, com o tempo nós aprendemos a diferenciá-las. Tudo isso cabe bem naquela frase que uma vez eu ouvi o Chaves dizer ao seu Barriga: "é estragando que se aprende."

A conclusão, a essência do recado que eu quero dar, é: se você vive a vida com o coração aberto, com integridade, com inteligência, com coragem, com amor ao próximo e a vida, se realmente vive o momento, você nunca terá tempo de olhar para trás e se arrepender. "A vida passa rápido", é o que minha avó diz. "Adolescência até demora um pouco, mas depois que você chega nos vinte e pouco, passa rapidinho... não sabe o quanto."

Desejo a você, leitor, boas escolhas, uma vida bem vivida, muitos amigos e sonhos e que saiba aproveitar o agora sabiamente, porque isso é um dom. Boa sorte, irmão. (: