quinta-feira, 2 de novembro de 2017

Amor de rapadura

Com este eu consegui conhecer o real sentido da palavra intensidade. Me entreguei prontamente, confiei sem ter motivos para confiar, experimentei sem medo do que ia encontrar, e fui feliz por alguns dias. Felicidade simples sabe, sem preocupação com futuro ou passado, com hora, com responsabilidades... só eu e ele numa barraca no meio do mato. Foram quatro dias de muita alegria e gozo. Dai voltamos cada um pra sua casinha. Os encontros continuaram, um carinho aqui, um chamego alí, presentinhos pra ele e pra mim. Nesse relacionamento ganhei diversos agradinhos. Um dia ele inventou de dar uma rapadura de presente pra minha família, parece que a partir dai o negócio meio que desandou sabe. Comecei a sentir ele ausente, inclusive quando estava em presença física, parecia tá com a cabeça sei lá onde. Só respondia o que eu perguntava. Se tornou uma muralha, nada passava, e percebi que nada eu sabia sobre aquela pessoa. Me angustiei, comecei os inquéritos. Tudo sobre ele me interessava, e nada ele queria dizer, sobre seu passado, seus amores, seus desejos, vontades... quanto mais eu perguntava, mais ele se fechava. O que fazer com esse desconhecido do qual gosto tanto? Aos poucos foi me mostrando os dentinhos, e as garrinhas. Vivi um dia de inferno na Terra, praguejei até sua quinta geração, porque ele me colocou uma situação muito difícil de lidar, sabe, e eu no meu movimento de aceitar e agradar, não ia conseguir passar por mais essa sem me machucar. Pensei: já conheço esse filme. Me odiei por repetir um lugar tão comum, tão conhecido de sofrimento. Houve um suspiro de esperança, vou colocar para ele a situação como a vejo. Conversamos então. Eu disse tudo que me desagradava, que me entristecia, que estava profundamente magoada, que gostava muito dele, mas assim como estávamos eu iria sofrer ainda mais, e que eu não me sentia obrigada a passar por isso. Eu esperava uma proposição de mudanças, um pedido de desculpa, uma expressão surpresa, qualquer coisa que não "tudo bem". Pois foi isso, escutei um "tudo bem", perplexa fiquei, e facinho ele foi embora da minha vida, assim como facinho ele entrou, e nada mudou. 

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Dedicatória

Você é uma oportunidade que a vida tem me apresentado, que eu tenho dito sim todos os dias. Você vai se mostrando aos poucos, e a cada dia é uma surpresa nova e prazerosa. Sinto que aproveitei bastante esse mês na sua companhia, cada minutinho com você é intenso e gostoso, estremeço ao menor toque do seu corpo no meu. Tudo sobre você me agrada! Quero saber tudo em detalhes, quero acolher suas vontades até nos pormenores.
Espero que o livro seja inspirador, que sirva de combustível para o teu espirito buscar a vida plena que se quer viver. Desejo toda a sorte em teus caminhos.
Com carinho,
Fernanda.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

milk shake eduardo e mônica

Eu achei que ia ser ok encontrar ele. Mas ai eu o vi. Fui chegando no café, e de longe vi a barba, o cabelo e óculos tão característicos sentado me esperando. Eu não sabia se olhava pro chão, se continuava olhando, se acenava indicando que já tinha visto ele, se sorria, se olhava pro lado... que eu faço? Parecia um caminho eterno... enfim cheguei a mesa. Me atrapalhei toda pra sentar. Comecei a tagarelar, não parava de falar da minha experiência num curso de meditação nos últimos 10 dias. De como tinha sido incrível, de como eu tinha mudado, quantos insights eu tive... continuei falando. Fiquei com medo do que poderia acontecer se eu parasse de falar. Se ficassemos em silêncio poderia ser constragedor. Se o assunto acabasse teríamos de ir embora. Tinha medo do que ele poderia falar também. Vai que ele me conta que ta saindo com outra pessoa, que se apaixonou de novo......... af, e daí? Não importa. Que boba eu! Cheguei até aqui, preciso bancar minhas escolhas. Eu disse: to falando demais né, se você deixar eu falo a tarde inteira sobre isso. "Não tem problema, pode falar. Aproveita enquanto ainda tá recente, e você ainda ta lembrando pra passar pra frente o que aprendeu..." fofinho. Não, fala você. Então contou como haviam sido seus últimos dois meses, viajou, se afastou um pouco das preocupações e dos problemas, participou de um congresso, encontrou amigos de outras cidades, foi ao casamento do irmão. Falou um tanto do casamento. Disse que se emocionou, cerimônia bonita, imaginou como seria a vida de casado, parece bom. Um nó se formou na minha garganta. Fiz um certo controle para segurar as lágrimas e controlar a respiração. Foi porque lembrei das vezes em que conversamos sobre ter uma vida a dois. Sobre morar juntos. Sobre pagar contas. Sobre dormir na mesma cama, compartilhar o banheiro, os problemas, as felicidades. Sobre se apoiar, se ajudar. Passou. São só pensamentos do passado. Ele mesmo mudou de assunto. Começou a explanar sobre outra coisa, enquanto eu observava o jeito que mexia a boca, as mãos, inclinava o corpo para trás, tudo tão familiar, tão bonito, tão charmoso. Muito surpresa percebi minhas sensações. Droga, ainda gosto dele. Tava difícil controlar a euforia no meu estômago, e as lagrimas querendo brotar nos olhos. Um impulso de querer ir embora. Não tá bom ficar aqui. Ta doloroso. Vamos destrocar as coisas, por favor. Ele trouxe tudo o que restava meu com ele, e eu tentei fazer o mesmo. Devolvi dois livros que estavam comigo, um deles gostei muito, intimamente eu não queria devolver. Ele percebeu e me deu de presente. Fiquei feliz. Foi uma conversa boa. Sem acusações, sem remoer o passado, sem ansiar por um futuro. Minhas angustias ficaram só comigo. Terminei meu milk shake e fomos embora. "Até mais", "boa sorte".  

domingo, 19 de junho de 2016

Última semana

Essa semana eu senti muita falta de você. Mas não de você como estamos agora, mas de você como éramos no começo. Pensei muito em você esses dias que ficamos sem nos falar. Lembrei do seu sorriso despreocupado, leve, dos seus olhinhos fechando quando ri. Sinto saudade do seu entusiasmo de me apresentar coisas novas, coisas sobre seu mundo, coisas sobre a cidade que moro, mas que não conheço como você. "Quero te mostrar um lugar que tem uma comida ótima", "comprei um livro, quero que você veja", "quero que você conheça meus amigos, você vai adorar a Cristal..."
Lembro da gente na minha cama a tarde inteira, conversando, dando gargalhadas, chorando de rir, fazendo guerra de travesseiros, ataque de cosquinhas. As vezes essas brincadeiras acabavam virando sexo, e huuuuummmm, como era bom! Era gostoso conhecer seu corpo, sentir cada pedacinho da sua pele, seu cheiro, seus movimentos, seus gostos. Era bom também descobrir o meu corpo quando estava com você. Aprendi sobre você, sobre mim, sobre como a gente era junto, colado, conectado, em sintonia, na maior fluidez de sentimentos, vontades, fazeres. Quando você dizia que ia embora, eu me agarrava em você e pensava que aquele momento poderia durar pra sempre. A vontade de te ver de novo me visitava rapidinho. Queria te ver todo dia, mal podia me aguentar de saudade. A gente conversava por horaaas sem enjoar. Minha pessoa preferida, você sempre era a melhor companhia pra sair, eu sempre te chamava. Quando você não podia, eu também não saía, fazer o que lá sem você? Perdi o contato com várias pessoas nesse processo, não tinha tempo de cultivar minhas amizades, só pensava em você, em te ver, em te dar carinho. As outras pessoas com quem me relacionava, eram seus amigos.
Nossa, como eu mudei depois de você! Acho que fiquei mais adulta. Comecei a trabalhar, aprendi a fazer comida. Fiz mais 5 tatuagens (com meu próprio dinheiro)! Conheci gente que não era do meu antigo círculo social, conheci novos assuntos, filmes, livros, gente mais velha que eu. Aprendi a lidar com problemas diferentes dos quais tava acostumada. Aprendi a lidar com os seus rolês emocionais, seus processos. Quando seu amigo morreu de câncer e você ficou triste, não tinha abraço mais apertado que eu desse que fizesse sua dor passar.  Viver essa perda com você me fez crescer muito também.
Teve um dia que alguma coisa aconteceu. Fico repassando nossos dias, pra ver se acho esse dia, mas não sei qual é exatamente. Não sei se foi quando nós tivemos aquela discussão sobre ciúmes, ou se foi quando você viajou e ficamos sem nos falar, ou naquele dia que a gente tentou transar e foi estranhamente não-bom, na verdade foi bastante desconfortável, eu não tava sentindo tesão, não rolou, ficou climão, eu fiquei triste, você ficou triste. Acho que foi nesse dia sim, nesse dia que o meu tesão em você foi embora, acho que meio que pra sempre.
Desde que eu te conheço você me fala que está arrumando seu quarto, que ta sempre uma bagunça. Quando te cobram essa organização, você responde "eu quero arrumar, mas acontece que minha vida tá igual esse quarto aqui".
Pacientemente eu tenho esperado você arrumar o seu quarto. As vezes fico preocupada em não deixar a bagunça da sua vida me atropelar. As vezes me sinto meio atropelada, quando vejo já rolou, to piradinha.  Respiro fundo "é o tempo dele". Fico me perguntando quando vai ser o meu tempo. Quando você vai perceber que eu também fico triste, também tenho vontade de desistir, que me estresso, que também faço coisas interessantes, que conheço filmes legais, que agora tenho novos amigos, que assisti uma peça de teatro legal com uma outra pessoa, e queria falar dela pra você, mas você parece não ter mais tanta curiosidade sobre o meu dia, sobre mim. Olho para você agora e me pergunto se foi por você mesmo que me apaixonei. Você parece que tá igual. Mesmo corte de cabelo, mesma roupa, mesmos dilemas. Acho que fui eu quem mudei. Eu não sou mais a mesma garota pela qual você se apaixonou. Será que você notou isso?



domingo, 23 de março de 2014

Poderia ter sido, mas não foi.

Quero falar de um sofrimento que já se aliviou. Somente agora é possível falar sem chorar e quero falar agora, porque na verdade agora eu estaria conversando com ele se fosse a mais ou menos um mês atrás. A gente pode chamar ele de Sr. Darcy, porque ele é encantador como esse personagem. Sim, tô sofrendo de amor. Ai ai ai, meu assunto preferido. Amar é um caminho sem volta, fica-se amando, amando, amando... e tamanho investimento de energia em outro objeto, que não na gente, as vezes dá nessas coisas: sofrimento.

Eu mesmo já escrevi um monte de cartas ao Sr. Darcy explicando o que não expliquei, o que ficou pendente, pedindo desculpas, as vezes me declarando... porém, sem coragem de mandar, que é o que eu realmente não devo fazer com ele: me comunicar. Ai ai como dói de novo. Quantas novidade eu já não tenho para contar, e assuntos infinitos, conversas que acabam por acontecer só na minha cabeça mesmo. Mas pelo menos me resta sonhar, certo? Se isso eu posso, deixe-me contar todos os nossos feitos: Já casamos, brigamos, já disse que o amava 5435 vezes, já tive crises de ciúmes e já terminei com ele por isso, mas depois vi que tudo era besteira e reatamos.  Já me mudei pra cidade dele, as vezes ele se muda pra minha, a gente tem uma casa linda com horta e galinhas no quintal. Já sei até as feições dos nossos filhos. Vejo ele triste e angustiado, amarro ele entre os meus braços e digo: vai ficar tudo bem. Mas ai eu desperto, mesmo que já acordada e lembro que nem nos falamos mais.

Quando fez uma semana que paramos de nos falar, eu abri o calendário do celular e fui contar os dias. Sete longos dias, parecia uma eternidade. Dai com surpresa percebi as outras semanas do resto do mês, e depois vi quantos meses restavam no ano, e depois quantos anos restavam da minha vida sem ele, e deus, que dor. Chorei. A pior parte é lembrar dele em todas as ausências, e me dar conta de quantos vazios infinitos existem num só lugar, contando comigo, que estou vazia. Mentira, já estou me recuperando. Gosto agora de pensar na gente feliz, e não na ausência. Melhor pensar no que já esteve preenchido, do que no vazio. Pensar no quanto ele é lindo e maravilhoso sem pensar em ter ele pra mim. Me imaginar fazendo outras coisas, saindo da rotina, criando e aprendendo, tudo sem a presença dele, me ajuda também. Mas que saudades, sdds infinitas.

segunda-feira, 29 de abril de 2013


Eu queria escrever uma história sobre uma menina que vivia sonhando e sonhando cada vez mais alto. Ela andava na calçada ziguezagueando, por esquecer-se de andar reto enquanto a cabeça estava nas nuvens, mas abruptamente parava, fazia cara de espanto e dizia: "quase pisei em uma formiga!". Ela tinha uns papos estranhos, sabe. Vivia dizendo que queria entender a pessoas, só assim poderia salvar o mundo. Ela tinha uns hobbies, como colecionar pedras em caixa de sapato, ou palitos de fósforos riscados embaixo da cama. Mas o passatempo preferido dela, que as vezes se tornava uma ligeira preocupação, era escrever sobre o que ela pensava em tudo quando era pedaço de papel. A intenção era guardar tudo, para que no futuro ela lesse e jamais se esquecesse de quem era. Vai que ela batia com a cabeça e perdia a memória. Vai que ela mudava de ideia, e a ideia anterior era melhor. Vai que ela esquecia de alguma promessa. Hoje eu penso: vai que o meu eu não se perdeu em uma dessas páginas do passado? Prometeu a si mesma nunca chamar as coisas que fazia de "coisas de criança". Por que negligenciar sentimentos tão sinceros com uma frase assim, não é?? Eu não os negligencio, sempre temos a razão quando somos crianças. E infelizmente elas crescem, e essa também cresceu. Por sorte, mesmo depois de grande ela ainda sonha e continua querendo escrever uma história...